01.26.09
dias e outras passagens de tempo.
ir dormir com a sensação de que a pessoa que deita é melhor do que aquela que acordou pela manhã; algumas falhas constatadas, outras repetidas e algumas, com sorte, até superadas. viver para ser melhor e ser melhor para conseguir viver, a dialética sendo cumprida à risca para uma situação retroativa benéfica.
01.07.09
reductio ad absurdum
eu vou conseguir agora, mas isso não vai me garantir nada, porque depois daqui as coisas serão mais difíceis, estarão mais difíceis, não será mais isso, não estarei mais nesta.
tá tudo bem. eu amo ela, eu amo seus olhos e como eles riem para mim a maior parte do tempo, eu amo o seu jeito bobo e infalível de descomplicar as coisas; acontece que ninguém pode ser feliz o tempo todo, haverá um momento inoportuno em que os olhos dela nos trairá, rindo estridentemente e o seu jeito bobo em nada vai ajudar quando for preciso permanecer sério, quem sabe em um jogo, quem sabe em uma aposta, quem sabe em ambos misturado com uma mentira? não dá.
eu poderia fazer o que eu tenho feito pelo resto dos meus dias, contanto que não houvesse ninguém me obrigando para. não devo fazer o que gosto, porque o que gosto, costumo desgostar fácil, ou pior, pegar aversão e como se não bastasse, meu gosto invariavelmente tende a envergar para o ridículo.
não há resolução, porque se eu me resolver, não ficarei feliz porque eu nunca me contento com as pequenas grandes coisas feitas de mim para mim, porque, porque, porque, tá, eu vou me resolver, eu vou me resolver nisso e vou imediatamente procurar outra grande pulga para coçar e dar de comer, é isso que eu faço, eu complico, eu atraso, eu me traio, vai estar tudo certo, como esteve e estaria, vai estar certo e já vai estar montado mais um palco para mais uma interminável tragédia que é feita da vida.
so I drink to stay warm, and to kill selected memories…
duas ou três jarras de tererê, seis ou sete (grandes) doses de vodka; os amargos arrependimentos, os azedos erros misturados e embebidos com o bêbado líquido amargo, provavelmente não pelo paladar, até porque certamente quem bebe desta maneira, não o faz pelo gosto que marca a boca.
as lágrimas que descem, salgam as miúdas maçãs do rosto, se confundem com o suor e acabam em vão, os erros que as germinaram continuam no incessante paralelo de culpabilidade, no entando sem resolução, ou alívio, não há nada de nobre, só arrependimento e descaso, este último quase como um mecanismo de defesa, já que ninguém aqui é daquele tipo que se esquece dos erros cometidos; se se esquece, é pela demasia cometida.
