07.07.08

ao meu primeiro amor.

Enviado em Sem-categoria tagged , , , , , , , às 7:43 am por joao henrique

a gente foi despretenciosamente se aproximando por similaridade de interesses e histórias, ambas bastante dramáticas para a nossa pré-adolescência (eu perdi meu pai, ela a sua mãe) é verdade, mas eram também bonitas, felizes, fortes, familiares, transitórias… pincelada de infantilidades com maturidade e vice-versa.

a gente foi despretenciosamente se aproximando? depois de algumas conversas, quando ficou claro os quesitos semelhantes, o mesmo bom gosto musical (dado a época e idade), o mesmo bom-senso, as mesmas vontades, as mesmas idéias e mesmo assim duas pessoas totalmente diferentes, a convivência virou vontade, era querer estar sempre perto daquele que te entendia e te fazia entender uma porção de outras coisas, era estar sempre perto. a convivência virou necessidade, virou obsessão. eu ainda não sabia que nome davam pra isso, mas ver ela fazendo qualquer coisa que não fosse comigo me doía em um lugar que eu nem sabia que existia.

meu mundo que ela ajudou a reconstruir pareceia ruir novamente ao receber a notícia que ela só passaria aquele ano por perto, doeu tanto, eu precisava tê-la por perto, precisava fazê-la ficar por perto. desesperado, me declarei da forma mais romântica que imaginei, me declarei usando as palavras mais bonitas e o meio mais certo; como se fazendo isso direitinho, de alguma maneira, as coisas não acabariam.

como todo bom primeiro amor é épico, esse não foi recíproco por completo.

o ano que o precedeu havia me dado esse comando que eu deveria ser rápido porque a vida é rápida e o fim próximo; seguindo ele, acabei enxergando aquele “nós” em um estágio mais à frente do que podia, porque ou era aquele momento, ou nunca mais… enquando para ela nós ainda estavamos, nesse ponto, na infância, na segura infância que ainda podia ser doce. ela precisava de uma infância doce e eu de uma vida pronta. pontos que em essência eram os mesmos, mas diferiram pela criação, o que apesar de todo o sofrimento, choros e sentimentos, não impediram aquele ano de ser um bom ano, muito menos aquela história de ser uma das mais bonitas que eu já senti.

 

e hoje, dia sete de julho de dois mil e oito, eu só quero que você, de alguma forma, saiba da diferença que você fez na minha vida e o quão importante foi, e que um dia você possa se anunciar tão feliz quanto eu me enunciava por aqueles tempos. 

sei que se não fosse ‘nossa história’ eu iria reaprender a viver de outra maneira, mas fico especialemente feliz por ter sido assim. feliz aniversário.

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