07.05.08
sobrevivente diário
após ouvir algumas músicas e ler uns textos percebi que eles possuíam uma característica bem semalhante, o que foi involuntário quase me pareceu associação livre já que o assunto é realmente um tanto pertinente, sem contar sua enorme relevância.
em consenso, diziam que por mais que a noite tenha sido um turbilhão de emoções envolvidas com generosas doses de dor o dia seguinte ainda surge, e entre o início do qua parece o fim e o início do que parece o recomeço ainda existe uma noite de sono, ou melhor, só sono, uma vez que esse nem sempre vem à tona no horário habitual. o que é bastante estranho sentir esses dois, ou três momentos como duas coisas análogas quando são apenas a mesma coisa, fazendo parte do mesmo ciclo que teve início ao ser concebido e só vai ter fim quando todo o mais acabar.
resumindo, sobrevive-se, e como se não fosse muito o novo dia ainda nos anestesia com alívio que quase parece paz. ninguém morre biologicamente de culpa, apesar da respiração não ser mais a mesma e existirem algumas outras degenerações e atrofias, isso ainda não é nem metade do caminho…
ao acordar ainda há quem pense que o momento delicado da noite anterior foi desnecessário, pois os sintomas parecem inexistentes e a culpa muito mais mansa do que o experienciado.
desnecessidade é uma defesa que o corpo em condições mais saudavés permite a nossa psique de hipotetizar. o corpo saudável é a verdadeira vadia da história toda, estando bem acha-se auto-suficiente, acha que o lema “mente sã, corpo são” é pronunciado ao inverso, enquanto um corpo saudável só é o alicerce para toda a angústia que é acumulada com o passar dos dias por doses de dores menores que a total.
se fosse apenas isso não teria maiores problemas por se tratar da evitação de uma dor maior que a que se pode suportar, mas acontece que o sofriento dessas noites são de causas desconhecidas, se sofre e não se sabe o porquê chegando ao ponto de sofrer e sofrer por sofrer, como se não bastasse esse movimento tenta adiar o inadiável, a velha história de que um dia a bomba explode, e de fato isso acontece, o trauma desconhecido incha com o tempo até ocupar todo um ser e continua inchando até explodir tudo o que ele era e tudo o que ele poderia ser, uma perda de indentidade com um ganho de inúmeras incapacidades.
a noite foi ruim, mas ruim mesmo foi nem toda dor ter ganho vida.
tudo sobrevive às noites ruins, o que destrói não são elas, mas quem/o que as causam.
