sobre o ódio.
Abril 21, 2008 às 6:43 am (Sem-categoria)
Tags: atitude, ódio, conhecimento, ignorância, pensamento, sentimentos
antigamente eu pregava o ódio com gigantesco furor, como se aquilo fizesse de mim o máximo, e de todas as coisas odiadas as piores já pensadas, me engrandecendo ainda mais…
era aquele ciclo ignorante que:
odiava sem conhecer para não passar a impressão de ser desconhecedor de algum fato ou fator.
odiava o diferente para depositar nas pessoas a repulsa pelas coisas que eu não conseguia ser, nem fazer.
odiava o óbvio para esconder o íncrivel tédio que era ser comum.
odiava para puxar assunto. odiava por não conseguir ter nenhum sentimento mais aguçado. odiava.
o problema é que o ódio não é construtivo nem destrutivo ele é só uma constatação, fútil constatação; nada acerca dele tem um objetivo positivo, uma vontade de melhorar ou querer mudança… um sentimento negativo que se sustenta pelas pessoas o desfrutarem em larga escala porque todas amam odiar, todos têm enorme prazer em ver a dita podridão alheia e curtir aquilo silenciosamente de camarote e ninguém jamais fará nada para eliminar a fonte de tanto ódio, já que é um vício onde ao sentí-lo você se põe em um falso patamar superior no qual você julga melhor ser.
com o tempo e o mínimo de maturidade eu aprendi a odiar o odiar, tudo se tornou gritante e finalmente hoje entendo claramente que odiar é um sinal de insegurança misturado com grandes doses de alienação, burrice, gelo e álcool barato.
e eu me sinto o maior dos escrotos ao ver que ainda as menores picuínhas são as que despertam esse monstro detestável, é tudo aquilo que eu quero esquecer e não deixam… pelo menos agora, o ódio brota de coisas de um passado em que eu não passei da melhor maneira e que só em momentos de fraqueza ou de explicidade de recordações o faz presente.