04.25.08
-q
A diz:
porque olha, você tá certíssima em achar bem feito
e ficar bem de um jeito sádico
só que uma coisa é isso, outra totalmente diferente é não ser feliz por orgulho
tipo, a tristeza de quem faz a gente sofrer só é boa quando não interfere na nossa felicidade
nossa, que conselho psicopata. fica a dica.
depressão matutina.
o sono que em via de regra já não é a parte mais agradável de viver, tem dias que consegue ser ainda pior… ele vem acompanhado daquelas alucinações que me acordam para logo depois paralizar e prender minha respiração, tudo vai ficando ainda mais desconfortável quando tento de todo o modo se despreender do bloqueio imposto, me mechendo como posso, cansando e sentindo cada vez mais falta de ar, falta esta possuidora de um temperamento ardiloso, que só volta na hora em que já estou completamente sem forças, totalmente tonto e descrente que vou suportar, passado três segundos, não mais que cinco este ciclo volta a se repetir, não há bem-estar muito menos paz.
me tira tudo e qualquer coisa boa, me impõe um misto de desespero e exaustão…
ao passar do tempo a sensação nauseante vai se dissipanto ficando só o medo, que tem um pingo de piedade, e lentamente vai conduzindo essa tão violentada alma ao sono. os sonhos devido a sua composição não é nenhuma surpresa, a voz não sai, o andar não anda, tudo me empurra e de alguma forma agride. tudo se apaga. doce escuridão.
virando e revirando as poucas horas de sono dão a sensação de serem apenas ralos minutos, o dia se anúncia com os primeiros ruídos que causam pânico, de primeira não abro o olho na vontade de não ser acometido pelas aflições que noites assim nos dão de cortesia, inútil. o pensamento é inundado de solidão. me levanto com mil coisas em mente, na maioria medos que são evitados, trazendo inconvenientes respostas de sopetão, mais uma dose de angústia, as respostas são as mais pessimistas possíveis, encostam o meu rosto no chão e me fazem gritar pinico. realidade distorcida e certeira.
medos, mortes, inseguranças, vaidade, mentiras, verdades… corre porque você tá quase atrasado e tem muito o que aprender e fazer. bom dia (#).
04.24.08
lost.
um dia eu to aqui, no outro também e isso meio que dói, porque é o inverso do que eu tinha em mente, porque é again, de novo, novamente uma imprecisa trajetória a ser explorada, um salto no escuro… e como tragédia pouca é bobagem, tenho que fazer isso sozinho over and over and over again… aí é que a coisa pega, eu sou um daqueles devotos fervorosos do “não me siga, também estou perdido” mesmo contra a minha vontade, não tenho o mínimo de senso de localização e tenho dependência de todo e qualquer ser-humano por mais chata que essa espécie seja.
04.21.08
nota
postulando teorias já em desuso para me convencer ou me enganar que certas coisas vão mudar, sem se atentar ao velho porém, o qual diz que nasce de cada um a revolução.
Black Cat John Brown
You catch the world, big open eyes
You catch some berries from trees that reach the sky
You’ll get older, you can’t catch time
You’ll have a good life and then you’ll die
- Alamo Race Track
devaneios e explanações
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(04:34) A: |
e aí |
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(04:34) B: |
opa! |
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(04:34) A: |
bem é amplo |
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(04:34) A: |
mas por hora, tudo bem |
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(04:34) B: |
não muito bem |
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(04:35) B: |
crises existenciais |
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(04:35) A: |
e quais seriam essas? |
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(04:36) B: |
afastamento de casa…. |
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(04:36) B: |
cada vez mais me distancio do que outrora me prendia aqui |
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(04:37) A: |
é a primeira vez que você sai de casa né? |
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(04:37) B: |
pra valer sim |
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(04:39) A: |
pode saber, é um sentimento meio que constante daqueles que estão começando a ter a própria vida efetivamente |
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(04:39) A: |
porque nos pontos que você muda agora, você muda principalmente por estar pensando por você mesmo |
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(04:40) A: |
mas é meio isso |
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(04:40) B: |
é pra certificar o pensamento só!! ^^ |
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(04:40) A: |
é… |
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(04:41) B: |
mas sempre achei que é uma fase necessária |
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(04:41) A: |
é difícil ver que você aos poucos vai deixando de fazer parte da unidade familiar |
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(04:41) B: |
e sempre vai ser assim.. com todas as gerações de todas as famílias do universo |
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(04:41) A: |
dói, e traz aquele medo gigantesco de um dia se tornar irreconhecível |
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(04:42) B: |
te tratar como visita na própria casa |
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(04:42) A: |
aí, é só sair de casa de novo pra saudade bater, a culpa atormentar |
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(04:42) A: |
desde o ano passado eu não tenho mais quarda roupa aqui |
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(04:43) B: |
bem!!! |
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(04:43) B: |
nem roupas vc tem em casa mais |
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(04:43) A: |
o ambiente físico também muda |
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(04:44) B: |
ontem guardei boa parte da minha adolescência numa gaveta |
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(04:44) B: |
foi um marco triste talvez |
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(04:45) A: |
por enquanto |
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(04:45) B: |
marca uma ruptura seguida de transição |
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(04:45) A: |
depois uma insensatez |
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(04:46) B: |
estamos começando a envelhecer |
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(04:46) B: |
indícios* |
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(04:47) A: |
é, a juventude de hoje não sabe o que é viver, progredir e transgredir |
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(04:47) A: |
iuhaihiauiahauai, so fucking old |
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(04:49) B: |
eu tento fazer algo pra mudar isso… tentar viver a vida.. o problema é que temos que obedecer a vários padrões… isso nos acorrenta a uma vída medíocre |
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(04:49) B: |
daí tem aquele papo de ser diferente e “seja você mesmo” |
a complexidade de ser simples
o processo de constituição do íntimo pessoal e intrasferível de cada um de nós parte de uma base que é quase nos dada de presente, por ser aquilo que só temos porque as pessoas que habitam nossos arredores conseguiram implantar, seja intencionalmente, seja involuntariamente.
quando criamos independência no que diz respeito ao conhecimento, começamos a produzir e a consumir aqueles que mais nos interessam; e como o “globalizamento” tá aí, irradia como ondas toneladas e mais de informações cabendo aos “eus” ver o que é mais interessante e/ou útil para uso e fruto… algumas coisas são totalmente opostas vindo das mais diferentes partes do mundo ou do homem, não há processamento, existem apenas anexos e vamos diariamente fazendo o que achamos pouco, vamos retalhando os nossos seres…
nós somos aquela velha metamorfose ambulante sempre tão citada, um fragmento desfragmentado com expansão freiada apenas com a morte, ou não; disperso e algumas vezes por isso, perdidos… é por isso e assim que alguns se perdem, é difícil administrar essa máquina que toda a humaninade junta, ainda não consegue entender.
para passar simplicidade é preciso de muita percepção e tato, para fazer de todo esse frankstein pós-moderno algo coeso e unitário… uma habilidade que consiste em pegar tudo que você é, com tudo aquilo que te influenciou e parir enfim, você.
sobre o ódio.
antigamente eu pregava o ódio com gigantesco furor, como se aquilo fizesse de mim o máximo, e de todas as coisas odiadas as piores já pensadas, me engrandecendo ainda mais…
era aquele ciclo ignorante que:
odiava sem conhecer para não passar a impressão de ser desconhecedor de algum fato ou fator.
odiava o diferente para depositar nas pessoas a repulsa pelas coisas que eu não conseguia ser, nem fazer.
odiava o óbvio para esconder o íncrivel tédio que era ser comum.
odiava para puxar assunto. odiava por não conseguir ter nenhum sentimento mais aguçado. odiava.
o problema é que o ódio não é construtivo nem destrutivo ele é só uma constatação, fútil constatação; nada acerca dele tem um objetivo positivo, uma vontade de melhorar ou querer mudança… um sentimento negativo que se sustenta pelas pessoas o desfrutarem em larga escala porque todas amam odiar, todos têm enorme prazer em ver a dita podridão alheia e curtir aquilo silenciosamente de camarote e ninguém jamais fará nada para eliminar a fonte de tanto ódio, já que é um vício onde ao sentí-lo você se põe em um falso patamar superior no qual você julga melhor ser.
com o tempo e o mínimo de maturidade eu aprendi a odiar o odiar, tudo se tornou gritante e finalmente hoje entendo claramente que odiar é um sinal de insegurança misturado com grandes doses de alienação, burrice, gelo e álcool barato.
e eu me sinto o maior dos escrotos ao ver que ainda as menores picuínhas são as que despertam esse monstro detestável, é tudo aquilo que eu quero esquecer e não deixam… pelo menos agora, o ódio brota de coisas de um passado em que eu não passei da melhor maneira e que só em momentos de fraqueza ou de explicidade de recordações o faz presente.
04.20.08
pai.
me desculpa por sempre evitar lembrar de você. me desculpa por lembrar de você e invariavelmente chorar. me desculpa por não ter lembranças realmente boas. me desculpa por essa nuvem de sentimentos destrutivos que envolvem todo o amor que eu sinto por você. me desculpa por diferente dos outros filhos não dizer que o meu amor é eterno, até porque eu não sei ao certo o que é amor e o que é eterno. me desculpa por não deixar te descansar. me desculpa por ser tão diferente do seu lado da família. me desculpa por esquecer. me desculpa por somatizar. me desculpa… me desculpa…
mas principalmente me desculpa por não consiguir ser feliz, e diversas vezes atribuir isso aos assuntos que envolvem você.
