so happy together.

o que seria ao certo a felicidade que as pessoas não se cansam de falar? e outras atribuem a este simples estado de espírito a chave do sucesso? o que constitui enfim o ‘estar feliz’? alguns dizem estar nos pequenos acontecimentos da vida, já outros acreditam apenas ser possível encontrar este tênue caminho através de atos faraônicos. seja o peso e encargo que realmente a caracteriza, eu realmente não me importo em ter este peso.

epistemologia de um fracasso

desde criança ela já possuía aquele jeito de menina especial facilmente percebido pela indiferença com que tratava as barbies, que por sinal ganhava a granel devido à sua favorável situação econômica; situação mesmo que cômoda não fazia o seu ego inchar.

ela tinha ainda aqueles olhos singelos e profundamente negros que casava perfeitamente com o seu sorriso cativante. sua vida infanto juvenil era dedicada as pequenas causas que a sua ingenuidade julgava importante, e que maravilhosa ingenuidade existia nessa garotinha que passava horas e horas com os animais que encontrava feridos no sítio de seu avô.

todos a achavam especial, ela tinha total certeza disso, e agradecia incansavelmente a Deus pela sua vida, agradecia por ter essa família maravilhosa e grande que a cercava, agradecia por ter o que comer, com o que brincar, agradecia por ter condições necessárias para viver; enfim agradecia essas coisas que toda criança deveria agradecer.

Deus realmente fez um brilhante trabalho com ela, que cresceu de forma ímpar e sem maiores ressalvas… porém, talvez pela vida que teve, a garotinha não acreditava no poder que os homens de má fé possuiam, talvez se acreditasse não faria muita diferença. a sua infância passou, bem como a sua família que havia sido vítima de uma barbaridade sem tamanho apenas por ser realizada; coisa que todo ser humano deveria ser.

parecia muito que essa menina espetacular havia morrido com o resto de sua família naquele dia. o seu ‘eu’ sofreu severas mutações, tudo acontecia de forma intensa e misteriosa no lado de dentro, era dor demais para ela suportar, era uma dor com que ela não estava habituada devido ao seu modo de vida que sempre colocava o coletivo em primeira ordem, se antigamente tudo dava errado conversar poderia resolver isso, agora não. ela não intendia. não é fácil intender. 

em questão de meses ela já estava irreconhecível, se tornara tristemente um ser voltado para a imagem, onde a cor e o corte do seu cabelo era o que fazia seu dia acontecer. para o seu novo eu isso era maravilhoso pois mantinha tudo em seu controle com um simples olhar. era indiscrítivel a sensação de controle que tinha apenas olhando no espelho, já que na imagem tudo o que deve ser visto está à mostra o que não acontecia mais na névoa de pensamentos que ela tentava liqüidar.

ela ainda falava com Deus, e agradecia por ser favorecida de beleza, e pelas inovações estéticas que a deixava ocupada o suficiente para não se acabar em memórias de um passado sem volta.

ela que tratava as suas barbies com descaso hoje as odeia, odeia estar irreconhecível em seu mundinho. ela ainda ousa a se machucar, para sentir que ainda é possível sentir. ela sente seu organismo arruinando e fica aliviada por ver.

não há bem-estar, não dá para estar aqui por muito tempo.

vertigo.

depois de algum tempo se revirando percebo que não há lado que satisfaça a minha pequena necessidade de respirar sem dor, não importa o jeito que eu sente, deite ou fique em pé, existe esse desconfordo descomunal que atordoa os sentidos e mata cruelmente e a prestação a minha paz, matando simplesmente o meu eu.

e vem essa vertigem, que faz a cabeça pesar me fazendo acreditar que em qualquer momento falho eu posso desmontar.

o pulmão parece levemente atrofiado ficando incapaz de puxar a quantidade necessária de ar, é como se essa houvesse uma corda que desse voltas e voltas em mim pressionando minha carcaça. tudo agora está dormente e sem nitidez, o organismo tenta manter o controle, funcionando com cautela a cada segundo se precavendo para o próximo.

a expiração é igualmente dolorosa o ar parece se esquivar nos alvéolos pulmonares se instalando em um remoto canto intoxicanto, estufando, perturbando, atordoando o meu corpo

um pequeno ciclo respiratório depois de fazer mais mal do que bem felizmente acaba. sobreviver cansae dói.

light.

as cores tão vivas e distintas uma das outras, por gritantes tons que parecem ir além do infra vermelho e ultra violeta, isso parece, parece, vivo! elas brilham até onde a vista parece alcançar.

parece autônomo, como se as cores assim como seus tons, formas e afins bastassem. tanto explendor não pode ser totalmente de uma única origem deve haver algo que passa desapercebido por esses olhos que chegam a confundir branco do preto devido à exaustão.

não é óbvio, mas parece… certamente há algo que ilumina aquilo que ilumina meus olhos, se essa vida toda possuísse bioluminescência soaria falso de tão completo e expansivo. essa luz, rápida e intensa, digo, infinitamente intensa dá energia e auto-suficiência para que isso funcione.

 uma idéia esporádica, que de forma leve sustenta todas essas eras geográficas.

é, parece.

uma temebrosa acusação pode ser posta de lado para que em outra hora ela possa ser melhor recebida, uma pessoa passa e leva consigo essa breve vivência, você arrisca, quebra todas essas coisas fragéis que sobraram a sua volta, você se decepciona, se machuca, você grita desmonta e no fim chora. é realmente triste olhar essa sucessão de fatos como um caso a parte que não faz mais parte de você, só que as coisas simplesmente se reciclam aos poucos e em partes, para que até a dor de perder alguém ou a dor de se perder seja utilizada para o óbvio, auto-controle.

(y)

o que dá raiva de verdade, dói fundo, é que ao fim de todas essas voltas  tudo acaba sempre tudo igual, sendo indiferente ter acontecido.
e de indiferença eu já estou cercado.

ice age.

cansei de todo esse jogo de loucuras, cansei do fato de ao me retratar fazer isso sobre duas perspectivas, cansei desse drama fraco que não surpreende, cansei do teatro imperceptível de todos os dias, cansei de estar cansado, cansei desses erros que não trazem consigo nenhuma lição.
que porra de erros são esses que não trazem nada de útil consigo, que porra de gente é essa que trata a minha ingratidão e indiferença com fingimento e indiferença. qual o propósito? é tentar tirar do comportamento humano a única coisa que o faz aturável.

I am a full freak show. enjoy the spectacle

things I never say.

eu preciso de algum jeito não me abalar, ou melhor realmente me abalar com o que é criado com esse propósito, me abalar, sorrir, interagir, completar o par ação-reação que eu tanto falo quando aponto para os outros. de uma maneira ou de outra, mais cedo ou mais tarde isso vai parar de ser um problema só em mim, e começar a a ser um problema meu, para mim, de mim, de você para mim e afins.
se eu parasse de apontar defeitos e começasse a encaminhar soluções quem sabe algum grão se movesse, infelicidade a minha não saber alguma solução mesmo que ridícula.
minto na verdade eu sei, talvez a falta do carbolitium e de seus amiguinhos seja um dos agravantes disso tudo, mas é que realmente eu não vejo benefício em trocar meu comportamento por algumas mg de uma porcaria farmacêutica que a bula diz que me deixará normal. posso estar sendo sem graça, mas eu sei que esse normal não tem nada a ver com o meu estado natural e sim com o que as pessoas esperam de mim.
pode ser pedir demais, mas seria indiscrítivel o tamanho da gratidão que tomaria conta do meu humilde ser se houvesse uma solução menos danosa, que ao invés de me dopar apenas me guiasse.

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