11.29.07
Sitting, Waiting, Wishing
quando se perde o controle, se perde também a localização e isso confunde um pouco, não há como se fazer previsões nem esperar pelo que pode acontecer, já que pode acontecer qualquer coisa, e o medo do abstrato é sempre muito presente em nós… deixando que as vozes sempre muito confusas sejam você… e quando elas provam uma vez o controle dissimulado elas gostam e ganham força com isso, cabendo a você esperar que isso quem sabe um dia passe e você tome a frente novamente, atento agora para que isso novamente não ocorra.
perguntas sem respostas
quando isso ficou assim tão confuso?
quando passei a ser um personagem circular, digno de Machado de Assim?
quando o certo ficou obscuro?
quem tá no controle da minha vida?
por que comigo são as sensações que estabelecem o humor e não o contrário como deveria ser?
daonde vem essa pressão que envolve a minha cabeça?
quando vai chegar o tempo em que eu ao invés de perguntas serei respostas?
toda essa situação cultiva a quebra de ritmo como se essa quebra fosse uma virtude… a distorsão dos fatos faz a exaltação das falhas do ser
…paper mache.
nós e os sonhos
os sonhos e nós
quem disse uma vez que nós éramos a exceção dessa regra, não, não somos assim tão especiais, quem sabe até tudo bem, nem pretendíamos ser… somos tão frágeis como os nossos sonhos que se desmancham de forma única em nossas mão, mesmo sendo de forma única não é a única forma de lentamente se acabar.
sonhos, assim como nós, têm data de validade, se esses passarem seja apenas paciente, outros virão, outros nos darão o ar da certeza que constantemente perdemos e mesmo assim teimamos em recuperar… a verdade é que isso deve ser mesmo assim, uma suceção de atos falhos na busca do melhor de cada qual.
somos tão frágeis, somos sonhadores, parecemos aquelas raspinhas de gelo que em contato com o calor da pele se desmancham… em contato simplesmente nos desmanchamos.
três lados
o que me afeta e me transforma eu não faço idéia do que seja, só digo e sei que isso é presente em todas as fendas que passam desapercebidas por mim… certamente o que faz dessa entidade inapalpável melhor do que todos os outros corpos constituidos de matéria é que ela sempre está disposta a ser atenta para se fortalecer nas falhas que simplesmente passam por cada um e por todo mundo.
ficamos então condicionados pelo medo de que qualquer hora isso nos desestruture de alguma maneira trágica e sombria. e talvez esse seja o maior trunfo do Nada, é capaz de plantar em nós esse sentimento de terror, insegurança o que nos faz paradoxalmente nos fechar ficando assim mais expostos
precious things
toda ação gera um reação de igual intensidade e sentido contrário, atuando em corpos diferentes
palpite.
essa vertigem seria um sinal de total felicidade ou até mesmo de mais uma crise que se aproxima em passos largos, firmes e compassados… é um tanto chato ver que a reação é inconsciente e independente do estado de espírito, ela vem quando pretende, possuí um gênio ardiloso.
e essa implacável mania de sempre achar que as coisas inanimadas buscam ter o controle de qualquer situação é um tanto estranha, ainda mais quando quando os atos pouco a pouco confirmam esse palpite bizarro… não faz sentido, mas dizem que nem era para fazer, as coisas são como são(?)
não me agrada acreditar na premissa que a abstração do destino é peça decisiva do que somos e até onde iremos, é um tanto quanto perigoso atribuir poder a algo que nem pode ser visto… é perigoso, mas não deixa de ser fácil depositar no tempo a culpa de fracassarmos a cada dia por simples comodidade e fraqueza.
andam dizendo…
o sucesso no Brasil é uma ofensa pessoal
- Tom Jobim
Luciano, o problema não é você ser famoso e usar Rolex, mas querer ser livre em um país onde ricos de esquerda e pobres honestos se solidarizam com bandidos.
- Ana Lucia Araujo
…violência, seja qual for, é violência antes de mais nada.